quinta-feira, 23 de junho de 2011

SOU CONTRA A SECULARIZAÇÃO DA MÚSICA GOSPEL


“SECULARIZAÇÃO” DA MÚSICA GOSPEL NO BRASIL
Sérgio Lopes Cançado
Resumo
De forma geral, estaremos relatando como a música gospel atual tem se “secularizado”, começando pela explanação dos avanços tecnológicos introduzidos na música gospel, da sua massificação com o uso da mídia forte, e prosseguiremos, mostrando a história brasileira, com a explanação sobre os hinários “Harpa Cristã”, “Cantor Cristão” e suas influências e continuidade no meio cristão atual.
A questão da “adoração” será tratada baseando-se no livro “Teoria Sistemática” de Wayne Grudem e no livro, “ A explosão gospel” na visão da professora e escritora Magali dos Santos Cunha, buscando situar-nos e nos levar a ter uma visão crítica sobre a questão em estudo.
Estaremos mostrando a criticas dos escritores da revista “Ultimato”, matéria “Onde estão os artistas” de Mark Carpenter, que fez duras críticas a qualidade dos artistas gospel da atualidade, e do Sr. Philip Yancey utilizando a matéria “Culto transformado”, que mostra o desvio do culto a Deus no sentido de transformação em “shows” de puro entreterimento.
Por fim estaremos dissertando sobre o que é “joio” e “trigo” na música gospel, trazendo algumas amostras de músicas e as classificando em categorias e explicando porque se enquadraram em cada categoria.

Palavras Chaves: música, louvor, adoração, gospel, igreja

1 - Introdução
O número de evangélicos no Brasil tem conseguido crescer graças a intensa atividade das igrejas e seus membros, tendo como pilares movimentos ligados a ministérios fortes e dinâmicos, como os do campo missionário, pregação, de instrução (escolas dominicais) e de louvor e adoração.
Ao passo que a igreja evangélica cresce, paralelamente vem o crescimento do número de igrejas fortes, pregadores bem preparados, e grupos e ministérios de louvor, cada vez mais profissionalizados e equipados, que passam com isso a ascender o mercado fonográfico / musical de massa no Brasil, atrelado a uma mídia forte, e capaz de atingir lugares e segmentos sociais e religiosos nunca atingíveis no passado, vindo assim a se tornar uma das ferramentas mais importantes para a conquista de novos convertidos e crescimento da obra do Senhor Jesus.
Desta forma não podemos deixar de se preocupar com esse crescimento, principalmente no mercado imediatista e de massa das gravadoras, sempre ávidas para abocanhar os lucros provenientes deste promissor mercado (gospel), pois de certa forma, começam a surgir movimentos, estilos e novas músicas que se distorcem da música gospel tradicional, que tem seu forte na forma melódica, centrada, normalmente arrebatadora, que objetiva sempre a verdadeira adoração ao Senhor.
Para se entender o momento atual, precisamos entender o passado recente, fatos ocorridos no final da década de 80 e início da década de 90, em que influenciado pelo “Movimento de Jesus” (EUA), que influenciou a criação de movimentos paraeclesiásticos de juventude no final dos anos 70, desencadeando na visão de vários entusiastas e estudiosos do assunto, um processo de profissionalização de músicos evangélicos, desenvolvimento da mídia evangélica, ambos fundamentados na teologia que enfatiza o valor superior do louvor e adoração no culto.
Assim chegamos ao momento atual, em que o louvor tem um lugar de destaque, juntamente com a pregação, pois o louvor passa a se tornar um meio altamente importante tanto quanto a pregação, de sintonia entre os cristãos e Deus,
Por outro lado as inovações tecnologicas são utilizadas nos cultos para projeção, em vez do velho impresso, além da utilização de aparelhagens de som e instrumentos sofisticados e modernos.
Podemos constatar alguns fatos que irão clarear o momento da música gospel atual, tendo assim as seguintes mudanças em relação ao passado: utilização de vários ritmos como pop, rock, samba,frevo, forró etc, assim como a inserção de danças e expressões corporais juntamente com o louvor, ,a criação de programas de “louvorzão” que podem ser confundidos com shows de entreterimento e/ou lazer, que aparentemente tem o intuito de apresentação de ministérios de louvor ou cantores solos, patrocinados por gravadoras do meio, que usando a mídia forte, fazem com que as massas passem a conhecê-los como se fossem ídolos ou pop stars ao modelo “secular”.
E não para por aí, pois os espaços e espetáculos gospeis passam a utilizar bares, pizzarias, livrarias, discotecas, como meio de difundir a música gospel, que na muitas das vezes, são direcionados aos jovens, que em sua encaram os eventos como meio de entreterimento e lazer.
E por fim temos rádios gospel, 24 horas por dia, operando como se fossem rádios do meio “secular” divulgando e massificando músicas dos ministérios e cantores gospel, tendo por trás gravadoras, que visam tão somente faturamento e lucro.
Assim este artigo científico se torna necessário para que possamos tentar ver de forma crítica e objetiva os novos formatos e mudanças, e também tentar estabelecer de forma coerente e sóbria, alguns limites, modelos e estilos dentro do mercado da música gospel, visando orientar líderes, levitas, músicos, e a quem quer que seja que viva no meio e se interesse pelo assunto. Dessa forma objetiva gerar assim grandes contribuições e crescimento congregacional, e quem sabe uma arma que nos permita efetuar uma blindagem contra essa “onda” chamada “explosão da música gospel”, e também resgatar e preparar para conservar e produzir hinos que realmente expressem o “verdadeiro louvor ao Senhor”, nos quais produzam, e sem sombra de dúvida, gerem edificação, quebrantamento e avivamento, e não tão somente entreterimento ao modelo “secular”.
2 - Referencial Teórico
.A questão da “secularização” da música gospel deve ter por base de estudo a sua gênese no Brasil que passa pelo conhecimento de hinários como a “Harpa Cristã”, do “Cantor Cristão” utilizando o sitio Wikipedia, até a explosão do movimento gospel atual, com ministérios que levam massas humanas ao delírio, como “Ministério Diante do Trono”, “Aline Barros”, “Trazendo a Arca”, “Fernandinho” , citados no livro a “Explosão Gospel – Um olhar das ciências humanas no cenário evangélico no Brasil”, os sítos Gospel noticias, que nos fornecerá informações extremamente relevantes a concretização da pesquisa.
Analisaremos também a questão da adoração, procurando definir o que é verdadeiramente genuíno e o que fica de fora deste conceito, utilizando o livro “Teologia Sistemática” de Wayne Grudem, especificamente no capítulo A Doutrina da Igreja, capítulo 51 denominado “Adoração”.
Também utilizaremos como apoio a nossa análise o artigo da capa da revista “Ultimato” de julho de 2005, chamado “Culto Transformado em Show” e também da mesma revista o artigo “Onde estão o artistas?” de Mark Carpenter que é diretor-presidente da Editora Mundo Cristão e também mestre em letras modernas pela USP.


3 – Conhecendo “A Harpa Cristã”
Não poderíamos deixar falar sobre o hinário chamado “Harpa Cristã”, pois foi a partir da necessidade das Assembleias de Deus de organizar os seus cantos congregacionais, pois não possuía um hinário próprio, que Harpa Cristã criou o hinário oficial das Assembleias de Deus no Brasil.
Ela foi especialmente organizada com o objetivo de enlevar o cântico congregacional e proporcionar o louvor a Deus nas diversas liturgias da igreja: culto público, santa ceia, batismo, casamento, apresentação de crianças, funeral, dentre outras.
A sua primeira finalidade foi transformar as igrejas e congregações em comunidades de perfeita adoração ao Único e Verdadeiro Deus. Não pode haver igreja sem louvor.
Para sanar essa necessidade era utilizado o hinário Salmos e Hinos, organizado pelos fundadores da Igreja Evangélica Fluminense, Dr Robert Kalley e Sarah Poulton Kalley.
A primeira edição inglesa, data do ano de 1855, contava com 27 Títulos (10 Salmos e 17 Hinos) e foi editada em Londres. Já a primeira edição brasileira, de 1861, era composta por 50 Títulos (18 Salmos e 32 Hinos), foi usada pela primeira vez em 17 de novembro de 1861, seis anos depois de sua chegada ao Brasil.
Essa coleção foi a primeira coletânea de hinos evangélicos em língua portuguesa organizada no Brasil, e também foi primeiro hinário usado por diversas denominações.
Hoje com aproximadamente 150 anos, tem mais de 500 hinos que são entoados em diversas congregações evangélicas e não evangélicas, muitas das vezes considerados “clássicos” e até mesmo considerados como louvores genuínos e de “perfeita adoração, a exemplo de que se pensava na época da criação do hinário.


3.1 – Conhecendo “O Cantor Cristão”
O Cantor Cristão foi o segundo hinário dos evangélicos brasileiros, da Igreja Batista publicado pela Juerp. Em sua totalidade contém 581 hinos de edificação a Deus. Foi publicado em 1891 e sua primeira versão continha apenas 16 hinos. As edições se sucederam, sendo sempre acrescidas de hinos novos. Em 1921 saiu a 17ª edição do hinário, já com 571 hinos, dos quais 102 eram de autoria ou tradução de Salomão Luiz Ginsburg.
Três anos mais tarde, em 1924, o hinário saiu pela primeira vez com música, pois até então só continha as letras com os hinos. Desde que Salomão Luiz Ginsburg editou o Cantor Cristão em 1891 e muitas outras pessoas ilustres têm prestado a sua colaboração. William Edwin Entzminger (72 hinos), Henry Maxwell Wright (61 hinos), Manoel Avelino de Souza (29 hinos) e Ricardo Pitrowsky (23 hinos) são os que mais letras ou traduções fizeram no atual Cantor
É fundamental reconhecer o papel preponderante do Cantor Cristão no histórico dos protestantes no Brasil, porque foi, e é, sem dúvida, o hinário mais popular de seu tempo, justamente por conter hinos característicos de sua época.
Esse valor, naturalmente, deve ser dado também ao "Psalmos e Hymnos", "Hymnário Evangélico" e à "Lyra Christã", porque esses hinários foram as primeiras publicações protestantes na área de música e nortearam por muitos anos todo esse segmento, e a exemplo da Harpa Cristã, continuam sendo entoados, não de maneira massificada, mas em diversas congregações evangélicas e não evangélicas, e são também considerados como “Clássicos” e fala-se também que realmente pode ser considerado como um louvor genuíno e de perfeita adoração.
Pode-se dizer que o apreço evangélico por esse insigne hinário é proporcional ao significado deste, devido à notória estima por este livro, que é, sem questionamentos, um dos maiores marcos na história do protestantismo brasileiro e na hinódia evangélica em geral.


4 – Influência e reflexos da Harpã Cristã e Cantor Cristão na mídia atual
A influência dos hinários “Harpã Cristã” e “Cantor Cristão” atingiu seu apogeu quando os sites de notícias evangélicas divulgaram que a gravação do novo cd de André Valadão em 2007 ,no qual trouxe no repertório hinos do Cantor Cristão e da Harpa Cristã, que alcançou um volume significativo de venda de CDs e DVDs pois, de certa forma resgataram o que representou para muitos o início da caminhada espiritual de grande parte dos evangélicos e não evangélicos do Brasil, assim como outras seitas denominadas cristãs.
Na verdade, apesar do grande volume de vendas de CDs e DVS, o projeto não chegou a ser uma novidade, pois diversos ministérios têm inserido em seus álbuns pelo menos uma canção dessa época com arranjos modernos.
Muitos cantores atuais como Paulo César Baruk, que gravou “Sossegai”, assim como o Raiz Coral que gravou também o hino “Tocou-me” sempre buscam nos hinários o resgate de alguns hinos que acabam na “graça” dos novos evangélicos que muitas das vezes nem sabem que referem-se a clássicos oriundos dos hinários Harpa Cristã e Cantor Cristão.

Marcos Góes fez o mesmo com “corinhos” antigos nas suas primeiras gravações da “Vigília”, assim como o grupo de louvor Banda & Voz que hoje faz parte do cast da Graça Music também lançou pela MK duas edições de “Corinhos Inesquecíveis”. Sem falar em João Alexandre, Aline Barros, Thales Roberto, entre outros, que já deixaram registrados hinos antigos em seus lançamentos.

Outro Ministério que tem se destacado neste processo é o “Atmosfera de Adoração” que é liderado pelo Missionário Irineu Grubert.
Irineu já lançou seis álbuns contendo hinos antigos no meio de seu repertório, sendo cinco com o cd “Atmosfera de Adoração” e um com Heloísa Rosa, denominado “Unção que une”.
Podemos assim concluir em nossa análise a respeito da influência dos dois principais hinários evangélicos do Brasil, afirmando que eles (hinários) ainda exercem um grande poder sobre o louvor e adoração, tanto a nível congregacional, quanto a nível de mídia, e mostram seu potencial de avivamento , pois quando entoados, causam uma grande e magnífica atmosfera de unção e quebrantamento, o que leva muitos cristãos a dizerem que apesar das evoluções tecnológicas em termos de instrumentação e qualidade de áudio, o genuíno e verdadeiro louvor advém dos hinários.

5 – Adoração
Não poderíamos falar sobre o cenário atual da música gospel sem antes buscar entendimento a respeito da questão do assunto “adoração”, pois atualmente fala-se em adoração, quando na verdade algumas ministrações de louvor estão apenas entretendo o público presente como se fosse um show muito parecido com os espetáculos seculares, em que o altar foi substituído pelo palco ou casas de show, as cadeiras das igrejas foram substituídas por arquibancadas ou lugares comuns como estádios, feiras agropecuárias dentre outros.
Para se definir o que é adoração, buscamos o seu sentido no livro “Teologia Sistemática” de Wayne Grudem, no capitulo 51 denominado “Adoração”.
Para esse autor, adoração é a atividade de glorificar a Deus em sua presença com nossa voz e com nosso coração.
Grudem afirma também que apesar de esperarmos que todos os aspectos da nossa vida glorifiquem a Deus, essa definição especifica que adoração é algo que fazemos especialmente quando entramos na presença de Deus, quando estamos conscientes que o cultuamos de coração e quando o louvamos com a voz e Dele falamos para que os outros ouçam. Paulo incentivou os cristãos de Colossos dizendo: “Habite, ricamente em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração (Cl 3.16).
Grudem foi mais além na definição de adoração dizendo que adorar é a expressão direta do nosso principal propósito na vida de “glorificar a Deus e gozá-lo plena e eternamente”
Também diz que Deus é digno de adoração e quer ser adorado, tudo em nossos cultos de adoração deve ser planejado e feito não para chamar a atenção para nós mesmos, nem para trazer-nos a glória, mas sim para chamar atenção para Deus e para levar as pessoas a pensarem a respeito Dele. “É necessário que ele cresça e que eu diminua,- João 3:30”.
Grudem relata no seu livro que Deus criou-nos não somente para glorifica-lo, mas também para alegrarmos nele e regozijarmos em sua grandeza.
Sobre a questão da ministração Grudem diz também que embora o principal proposito da adoração seja de glorificar a Deus, as Escrituras ensinam que também acontece algo conosco na adoração: nós mesmos somos edificados. Até certo ponto, isso acontece, naturalmente quando aprendemos dos ensinos bíblicos ministrados ou das palavras de incentivo dirigidas a nós.
Finalmente, Grudem aborda um assunto importante para nossa análise, que é “Como podemos entrar em adoração genuína?”, ou seja, para que possamos adorar perfeitamente e verdadeiramente, deve ser feito através do poder do Espírito Santo em nós. Isso quer dizer que devemos orar para que o Espirito Santo capacite-nos a adorar corretamente.
Assim concluímos que adorar não é simplesmente saber cantar, tocar e ter uma plateia em volta, pois sem uma preparação que é a oração, e pessoas que estejam realmente preparadas espiritualmente para conduzir a ministração para que nos leve ao encontro em espirito com Deus, tudo pode se transformar num mero show ao modelo secular, que em vez de edificar e quebrantar, pode até trazer um certo nível de alegria, mas o verdadeiro regozijo no Senhor poderá normalmente não ocorrer.

6 - A Explosão Gospel
Para entendermos o que vem ocorrendo com a música evangélica, que passou a chamar música gospel a partir dos anos 80 e 90, teremos que entender a questão da onda chamada “Explosão Gospel no Brasil”, ou seja, a questão da música está inserida num contexto maior, no qual tentaremos entender a partir da entrevista ao sitio Gospel notícias, da autora do livro “A explosão Gospel – Uma visão das ciências humanas no cenário evangélico no Brasil” de autoria da professora Magali dos Santos Cunha, doutora em comunicação e docente em diversos cursos da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista da Universidade Metodista de São Paulo.
O sitio Gospel notícias relata que desde que o movimento pentecostal brasileiro tornou-se fenômeno de massa, no último quarto do século 20, especialistas das mais diversas áreas têm se debruçado sobre a Igreja Evangélica com lupas de pesquisador. O espantoso crescimento do segmento, que pulou de um traço estatístico para a posição de segundo maior grupo religioso do país, tem sido discutido e explicado de muitas maneiras – quase todas, diga-se de passagem, incompletas ou mesmo parciais. Por isso, trabalhos como o da professora Magali do Nascimento Cunha ganham relevância. Jornalista, doutora em Ciências de Comunicação e mestre em Memória Social e Documento, ela é docente em diversos cursos da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista da Universidade Metodista de São Paulo e atua ainda como palestrante e conferencista.
Magali observa o cenário evangélico nacional com ainda mais conhecimento de causa, já que é membro da Igreja Metodista do Brasil e do Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas.
Segundo o sítio Gospel notícias, a professora Magali, de maneira alguma faz algum tipo de concessão ao corporativismo. Ao contrário – a pesquisadora não poupa as críticas que julga necessárias à Igreja contemporânea. No seu mais recente livro, A explosão gospel – Um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico no Brasil (Mauad Editora), Magali constrói uma tese segundo a qual esse movimento chamado gospel fundamenta-se não apenas na lógica do mercado, mas também numa série de novos comportamentos e maneiras de enxergar e praticar o Evangelho. “Vivemos o surgimento de uma cultura religiosa nova”, afirma a professora. Segundo ela, a explosão gospel criou tantas demandas que afetou até mesmo a teologia cristã deste século 21. Entender este multifacetado universo de fé e todos os seus desdobramentos talvez seja tarefa para gerações. Mas nesta entrevista, Magali Cunha aponta alguns caminhos.
Ao ser questionada se o termo “gospel” seria tão abrangente, ela diz que na verdade, pode ser dito que as diferenças que existem entre os grupos evangélicos estão bastante “sufocadas” por essa forma cultural. Ela disse também que usa o termo “gospel” para definir esse modo de vida porque ele emerge do fenômeno que ganhou corpo nos anos 90 – o movimento musical que detonou um processo e configurou algo muito maior. Surgiu uma forma cultural, um modo de vida gospel. Ele não é uma expressão organizada, delimitada; mas resulta do cruzamento de discursos, atitudes e comportamentos entre si e com a realidade sociopolítica e histórica.
No questionamento feita a doutora Magali sobre se o louvor tem importância cada vez maior nos cultos e por que as igrejas têm dado tanto valor à música e afirmou o seguinte: “Quem é Deus e quem é Jesus na maioria das canções? A maior parte das composições traz imagens da teofania monárquica do Antigo Testamento. Assim, Deus e Jesus são intensamente relacionados a imagens de reinado, majestade, glória, domínio e poder. Nesta linha, ganha novo sentido a figura dos levitas, que passam a ser destacados e traduzidos na contemporaneidade como “os ministros de louvor”, terminologia assumida nas igrejas. Disso resulta também o estabelecimento de uma hierarquia de ministérios. Há maior destaque aos levitas, e isso pode ser observado no lugar que ocupam no culto. Quem toca e canta é considerado ministro; já quem realiza outras atividades de serviço raramente é apresentado e destacado dessa maneira”
Sobre a mídia, ferramenta que potencializa e distribuiu o que se produz de louvor no mercado gospel, Magali refere-se que a cultura da mídia, que é um elemento forte nas sociedades contemporâneas, promove uma padronização de discursos e práticas. Temos um padrão para cantar, para se comportar, para falar de Deus e da Bíblia. Isso porque as grandes igrejas e os grupos mais expressivos, com suas respectivas lideranças, conseguem espaço na mídia e viram modelos a serem copiados ou adaptados para a realidade de um sem-número de comunidades.
Além do mais, Magali reforça que a mídia evangélica é extremamente comercial. Ela reproduz a lógica da mídia secular e não faz diferença no meio. É diferente de mídias cristãs de outros países, que produzem documentários, lideram campanhas de cunho social, exibem mensagens bastante criativas relacionadas ao calendário cristão. Ainda não assisti a nenhuma programação desta natureza em nosso país. O programa mais criativo que assisti nos últimos tempos saiu do ar – era o 25ª hora, da Igreja Universal, que debatia temas da conjuntura com especialistas e pessoas cristãs que os relacionavam ao desafio do Evangelho. Os poucos programas de debates nas rádios ou TVs evangélicas de hoje são apenas doutrinadores do grupo que os lidera. O debate já tem conclusão antes de terminar. O tom evangelístico, de buscar a adesão de novos fiéis à proposta evangélica, é coisa do passado na mídia. Os programas não são mais dirigidos aos não-cristãos, mas sim a quem é crente, ligado a qualquer igreja, para receber doutrinação que corresponde ao discurso da cultura gospel e as ofertas dos produtos de quem lidera aquele veículo. A divulgação dos locais de reuniões públicas dos grupos condutores da programação é apenas um apêndice à veiculação massiva de conteúdo musical, já que o mercado fonográfico do segmento é uma força. Os demais aspectos da programação – debates, sessões de oração, estudos e sermões – não têm aquele cunho proselitista clássico, mas é carregado de ênfase doutrinária para conquistar novos espectadores e consumidores para os produtos oferecidos.
O sitio Gospel notícias conclui a entrevista com as seguintes afirmativas a respeito da explosão gospel:
“O novo modo de ser evangélico caracteriza-se pelo privilégio à expressão musical, por envolvimento no mercado e espaço para o lazer e o entretenimento”
“Vivemos hoje uma forte crise de ética cristã quando privilegiamos um modo de ser baseado no “eu” e na experiência. Isso é totalmente incompatível com o Evangelho”
“A mídia evangélica brasileira é extremamente comercial. Ela reproduz a lógica da mídia secular e não faz diferença no meio”

7 – Os outros artistas “gospeis”.
Após termos uma visão bastante relevante sobre realidade gospel atual, seria importante fazermos análises críticas a respeito dos artistas considerados gospel, suas capacitações, formatos, para que possamos radiografar e tentar separar posteriormente o que seria “joio” e o que seria “trigo” no meio em questão.
Para isso utilizaremos a reportagem da revista Ultimato, do redator Mark Carpenter em que se faz um crítico ferrenho aos artistas gospel de maneira geral. E iniciou sua reportagem dizendo que acreditou que a disciplina bimestral de escrever sobre o tópico (artistas gospel) o levaria a descobrir o melhor da arte cristã brasileira e infelizmente isto não aconteceu. Ou melhor, ocorreu o contrário. Descobriu que o que se rotula de arte cristã no Brasil é quase sempre utilitário, kitstshi (1) ou mal executado.
Carpenter ataca os artistas gospel e a própria igreja brasileira, afirmando que não é um bom lugar para quem aprecia música de qualidade. Quem gosta de música autêntica e bem composta padece calado (ou, quem sabe, fazendo mímica bem-comportada) todo domingo em milhares de igrejas espalhadas pelo Brasil.
Ao passo que ataca os artistas e a igreja brasileira, Carpenter se defende alegando que não é um cristão rabugento e anti-pentecostal, daqueles que só sabem entoar hinos do Cantor Cristão, acompanhados por piano desafinado ou teclado imitando órgão de tubo; ou é um elitista, que provavelmente acha que Deus só ouve CD’s de música sacra da Deutsche Grammophon em seu home theater celestial. Mas esses rótulos não colam. Afirma ele que não é nem retrógrado nem eruditista, apenas defende a busca de um padrão mais aculturado, relevante e genuíno, que espelhe a excelência criativa de Deus.
Carpenter não dá trégua aos artistas gospel alegando que o problema não é falta de talento musical. Há nas igrejas inúmeros músicos de grande alcance e potencial. Mas poucos ousam criar fora dos padrões estéreis da pasteurizada praise music mundial, e que o consumismo cristão força a arte a ser um meio, e nunca um fim. Deixamos de valorizar o compositor hábil que cria em louvor a Deus, e preferimos aquele que faz refrães previsíveis que abrem o clima emocional para a oferta ou o sermão. Deixamos de valorizar o artista plástico que se empenha para se expressar, e preferimos aquele que apenas ilustra “sem frescura”. Deixamos de valorizar o poeta, e preferimos o antologista de chavões. Acabamos sempre sacrificando a contemplação cristã no altar do entretenimento, completa assim Carpenter.
(1) é um termo de origem alemã (verkitschen) que é usado para categorizar objetos de valor estético distorcidos e/ou exagerados, que são considerados inferiores à sua cópia existente. São freqüentemente associados à predileção do gosto mediano e pela pretensão de, fazendo uso de estereótipos e chavões que não são autênticos, tomar para si valores de uma tradição cultural privilegiada.


Por fim, Carpenter arremata sua veemente crítica afirmando que não é contra o entretenimento em si, mas quando ele usurpa o lugar da arte, tem a impressão que perpetuamos a pobreza de espírito. A falta de contato com a arte não ameaça a salvação do crente em Cristo, mas tenho a sensação de que o deixa menos capaz de distinguir entre real e ideal, menos ciente da extensão do mistério de Deus, menos sensível às nuanças da criação, e menos capaz de dialogar com quem ainda não encontrou o Deus verdadeiro, mas busca significado e transcendência na música, no cinema ou nas galerias de arte.
As críticas não param por aí, e são alimentadas por outros estudiosos no assunto, como foi na reportagem de Philip Yancev, capa da revista Ultimato edição 295,em que diz que é afirmado que não é apenas a mídia que está usando a palavra show para se referir a alguns cultos. Nós mesmos usamos esse termo em nosso meio. Uma de nossas revistas chama-se Show da Fé. Apesar de não estarem no meio evangélico, mesmo assim ele critíca as missas celebradas pelo padre Marcelo Rossi, que são usualmente denominadas de “showmissas”.
Afirma o Sr. Yancev que as palavras culto e show não se combinam, a não ser que lhes demos significados modernos. O dicionário Aurélio define show como “um espetáculo de teatro, rádio, televisão etc., geralmente de grande montagem, que se destina à diversão, e com a atuação de vários artistas de larga popularidade, ou às vezes de um só”. Ora, nessa definição, nada combina com o significado de culto, que o mesmo dicionarista diz ser “adoração ou homenagem à divindade em qualquer de suas formas, e em qualquer religião”. “A igreja existe, não para oferecer entretenimento, encorajar vulnerabilidade, melhorar auto-estima ou facilitar amizades, mas para adorar a Deus. Se falharmos nisso”, conclui Philip Yancey, “a igreja fracassa”.
Enfim, Yancey compara o tempo destinado a palavra ao louvor, alegando que de fato, em muitas igrejas, o tempo destinado à exposição da Palavra é cada vez menor e o tempo reservado aos cânticos é cada vez maior. Em alguns cultos já não há lugar para o antigo sermão, nem para algum substituto dele. Assim como há geléia light, maionese light e pão light, temos o culto light (leve, ligeiro, alegre, jocoso etc.). Embora a música de adoração seja de suma importância e de fundamento bíblico (basta recordar o desempenho dos cantores e instrumentistas levitas), o papel da música religiosa hoje em dia não implica, obrigatoriamente, uma elevação da qualidade dos adoradores e do culto.
A decadência do culto transformado em show leva obrigatoriamente a outros absurdos: certo “levita” explicou que o ministro de música (no caso, o tal artista de larga popularidade, da definição do Aurélio) “deve andar de carro novo e vestir-se elegantemente porque, afinal de contas, tem a responsabilidade de conduzir o povo ao trono de Deus em adoração”.
Podemos concluir nossa análise dizendo que há uma multidão de crentes inseridos na nova cultura gospel, apoiados por uma mídia forte, que muitas vezes, são propriedades de grandes igrejas e que apesar das muitas críticas de pessoas e estudiosos que tem maior visão crítica da realidade, não se avista uma luz no fundo do túnel em que possa tentar modificar o “status quo” da música gospel no momento o qual pode-se afirmar categoricamente que passa por um momento de contínua secularização, maioria das vezes devido aos moldes em que está se espelhando a imagem do secular refletida é o próprio secular.

8 – O joio e o trigo da música Gospel
Depois de termos perpassado por vários estudos, reportagens e comentários sobre a mídia, música e artistas gospel e seus ministérios, passaremos a uma análise e comparação de letras de algumas músicas que serão escolhidas aleatoriamente, buscando assim assegurar uma amostra bastante relevante de cada estilo, tanto dos hinários Harpa Cristã, Cantor Cristão, como de ministérios do passado recente e da atualidade, no qual teceremos comentários e registraremos opiniões, tentando definir o que chamamos de louvor genuíno (trigo), e o que é apenas entreterimento (joio).
Buscaremos também registrar uma amostra o qual chamaremos de terceira categoria, em que a qualidade melódica, letra, inspiração ligada ao Senhor estejam abaixo de um nível considerado aceitável no meio gospel.


Amostra nº 1
Santo, Santo És Tú Senhor ( Hino 252)

Harpa Cristã

Santo, santo és Tu, Senhor,
Em Teu louvor eu vou cantar
Com esperança, ó Deus de amor;
Tu me queres consolar;
Eu Te peço, ó meu Jesus,
Só Tu és meu Salvador,
Que me faças andar na luz;
Santo és, meu Redentor!
Ao meu Jesus eu cantarei
Entrando na feliz Sião;
Oh! Santo, santo, proclamarei
Na minha eternal mansão,
Com os anjos e serafins,
Santo! Santo vou cantar
Com arcanjos e querubins;
A Jesus eu vou adorar.
Santo, santo, eu cantarei,
Ao meu Jesus, que me salvou,
E só nEle confiarei,
Pois Minh'alma resgatou;
Dá-me o pão do céu p'ra comer.
O maná celestial,
P'ra Teu povo fortalecer,
Com o Teu poder vital.
Em Jesus, só, hei de buscar,
A Sua força divinal,
Que avante me vai levar,
Para o reino eternal;
Oh! Quão doce é Teu pão,
Que nos dá real vigor
No deserto; consolação,
Que nos enche de fervor.

Consideramos como “trigo”, pois a letra mostra que o autor se dirige a Jesus de forma a adorá-lo na plenitude de suas virtudes.



Amostra nº 2
Celebrai
Cantor Cristão

Celebrai a Cristo celebrai,
Celebrai a Cristo celebrai,
Ressuscitou! Ressuscitou!
E Ele vive (reina) para sempre,
Vamos celebrar,
Vamos celebrar,
Vamos celebrar,
Ressuscitou o Senhor.

Consideramos também como “trigo”, pois a letra mostra que o autor se dirige a Jesus de forma a adorá-lo e em regozijo e celebração pela sua ressurreição.

Amostra nº 3
Como Eu Te Amo

Fernandinho

És meu tudo
És meu Senhor
És meu amigo, meu intercessor
Meu braço forte,
Meu conselheiro,
Maravilhoso,
Meu 'Grande Eu Sou',
Eu não sou nada sem Ti,
Eu não vivo sem Ti,
Sem Tua presença eu morro,
Como eu Te amo,
Como eu Te quero,
Sim eu me prostro aos Teus pés,
A minha vida eu Te consagro,
Tudo o que tenho é totalmente Teu,
Tudo o que sou é totalmente Teu,

Consideramos também como “trigo” apesar de ser de um cantor de massas e de mídia atual forte, pois a letra mostra que o autor se dirige a Deus com reverência e reconhecimento do que realmente Deus é na vida de um cristão.

Amostra nº 04
Debaixo do meu pé

Os Arrebatados

Eu fui no terreno do inimigo e eu,
Tomei tudo o que me roubou,
Tomei tudo o que me roubou,
Tomei tudo o que me roubou,
Mas eu fui no terreno do inimigo e eu,
Tomei tudo o que me roubou,
Debaixo do meu pé,
Satanás, debaixo do meu pé,
Eu fui no terreno do inimigo e eu,
Tomei tudo o que me roubou,
Tomei tudo o que me roubou,
Tomei tudo o que me roubou,
Mas eu fui no terreno do inimigo e eu,
Tomei tudo o que me roubou,
Debaixo do meu pé,
Satanás, debaixo do meu pé,
'Cê pode crer no que o Senhor já fez por mim?
Curou, limpou, transformou minha vida,
Colocou meus pés na rocha firme
'Cê pode crer no que o Senhor já fez por mim?
'Cê pode crer no que o Senhor já fez por mim?
Curou, limpou, transformou minha vida,
Colocou meus pés na rocha firme,
'Cê pode crer no que o Senhor já fez por mim?


Consideramos como “joio” pois relata uma ida de um suposto cristão ao inferno de forma espiritual, para brigar com Satanás, sendo que o verdadeiro louvor a Deus, tem como essência o relacionamento e adoração a Deus, sem colocar qualquer outro ser como centro da adoração.


Amostra nº 05

O diabo é maconheiro

Pingo D'água

Isso é o que dá pensar
Que não tem nada a ver apertar
O diabo te puxa, te prende, mas não vai soltar
O diabo é maconheiro
E o inferno é um gigantesco bagulho aceso
E a erva quem é?
É você Mané.

Consideramos como “terceira categoria” ou música secular, pois só fala de Satanás, e de maneira chula e sem se preocupar com a verdadeira essência do louvor genuíno.


Amostra nº 06

Quem Disse Que O Amor Pode Acabar?

Catedral

Eu não entendi,
Por que nunca consegui te responder,
Se tudo o que eu queria era você,
Não sei o que dizer,


Eu não percebi,
Que a razão era maior e adormeci,
No momento mais difícil te perdi,
Mas nunca desisti,

Quem disse que o amor pode acabar?
Quem foi que disse que o amor pode acabar?

Eu não percebi,
Que a razão era maior e adormeci,
No momento mais difícil te perdi,
Mas nunca desisti.

Quem disse que o amor pode acabar?
Quem foi que disse que o amor pode acabar?

Neste caso consideramos uma música secular, mesmo interpretada por uma banda considerada “gospel” pois, em nada fala de Deus e de Jesus cristo, mesmo não apresentando termos chulos, não podemos classificá-la como “trigo”, e assim podemos classificá-la como simples “entreterimento”.


9 – Conclusão
Por fim, esperamos ter conseguido mostrar a diferença do que é “trigo” e o que é “joio” no meio da música gospel, questão primordial para que possamos aprender a classificar e filtrar o que há de verdadeiramente genuíno e o que não é, sendo assim facilitadores aos pastores, ministros de louvores, e outros responsáveis pela programação e execução dos louvores na igrejas evangélicas do Brasil, sabendo usar o que se tem de melhor em termos de tecnologia e modernidade não para gerar puro entreterimento, mas única e exclusivamente para avivar, edificar e trazer novos convertidos a “casa de Deus”.

10 - Abstract
In general, we will be reporting as gospel music today has been" secularized", starting with the explanation of the technological advances introduced in gospel music, with its mass media usestrong, and will continue showing the Brazilian history, with theexplanation hymnals "Christian Harp," "Pink Floyd" and their influence and continuity in Christendom today.

The issue of "worship" will be treated based on the book "Systematic Theory" by Wayne Grudem and the book, "The gospelexplosion" in the view of teacher and writer Magali dos Santos Cunha, seeking to situate us and lead us to have a critical view on the issue under study.

We will be showing the magazine's writers critical of "Ultimato," raw "Where are the artists" by Mark Carpenter, who has heavily criticized the quality of today's gospel artists, and Mr Philip Yanceyusing the article "Worship transformed," which shows the deviation from the worship of God in the sense of transformation in "shows"of pure entertainment.

Finally we will be expounding on what "weeds" and "wheat" in gospel music, bringing some music samples and classifying them into categories and explaining why they fit in each category.

Keywords: music, praise, worship, gospel, church

11 - Referência Bibliograficas
-Sitio Wikipedia – Matéria “Música Gospel”
-Sitio Wikipedia – Matéria “Harpa Cristã”
-Sitio Wikipedia – Matéria “Cantor Cristão”
-Sitio Arquivo Gospel – Matéria “Movimento Gospel”
-Cunha, Magali do Nascimento - “Explosão Gospel – Um olhar das ciências humanas no cenário evangélico no Brasil”
-Revista Ultimato – Matéria “Onde estão os artistas?” de Mark Carpenter e a matéria “Culto Transformado” de Philip Yancey.

Um comentário:

  1. Li e compartilhei, pois expressa a minha opinião sobre este assunto, movimento gospel no brasil é um lixo, DEUS NÃO SE DEIXA ESCARNECER

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